| Os segredos por trás do pH |

A rotina de uma mulher multifacetada exige muito, e não raramente ignoramos os pequenos alarmes que o corpo emite. Você acorda cansada mesmo após uma noite inteira de sono? Sente dores de cabeça persistentes, percebe as unhas descascando ou o cabelo perdendo o brilho? A digestão parece mais lenta, uma sensação de azia ou o estômago estufado após uma refeição leve?

Nós sabemos exatamente como é equilibrar tantos pratos ao mesmo tempo e acabar normalizando o desconforto, achando que o cansaço faz parte do pacote do sucesso. Mas a verdade é que esses sintomas são um pedido de socorro do seu sistema interno, avisando que a balança inclinou para o lado errado. Administrar os níveis de acidez e alcalinidade não é apenas uma questão de estética ou de contagem de calorias, mas o alicerce real para evitar o esgotamento físico, mental e emocional. Compreender essa dinâmica é o primeiro passo para assumir o controle da sua saúde com a mesma maestria com que você gerencia a sua carreira.

E como realizar essa difícil tarefa? Antes de descobrir como é preciso entender o que é pH!

Toda solução é ácida ou é alcalina. Assim são os líquidos e os fluidos corporais que circulam no organismo. O potencial hidrogênico, conhecido popularmente como pH, é a régua que mede numericamente o grau de acidez ou alcalinidade em uma escala que vai de 0 a 14.
O número 7 representa o equilíbrio perfeito, a neutralidade. Abaixo disso, o terreno se torna ácido; acima, alcalino.
O suco gástrico no seu estômago, por exemplo, precisa ser altamente ácido, operando na casa do nível 1, para digerir o que você consome. Em contrapartida, o sangue venoso exige um ambiente ligeiramente alcalino, mantendo-se rigorosamente estável entre 7,35 e 7,45 para que as suas células continuem recebendo oxigênio e funcionando perfeitamente.
Analisando esses dados, alimentos mais próximos a 7 (sete) são considerados neutros ao nosso organismo. Os abaixo de 7 são os alimentos ácidos, e acima, os alcalinos.

O grande desafio começa quando a nossa rotina profissional e pessoal interfere nessa matemática.

Uma dieta concentrada em alimentos industrializados, o estresse crônico das reuniões e prazos, o excesso de cafeína para se manter focada e as noites mal dormidas geram reações metabólicas que privam as células de nutrientes essenciais, empurrando o corpo para a acidez. Quando nos encontramos nesse estado inflamatório, o organismo é obrigado a fazer um resgate de emergência: ele retira minerais alcalinos valiosos dos próprios ossos, dentes e tecidos para tentar neutralizar o sangue. É aí que a conta chega na forma de fragilidade física e falta de clareza mental.

Os alimentos que consumimos, ácidos ou alcalinos, desempenham o papel principal nessa gestão de crise. Itens com características altamente ácidas após a digestão podem até ser práticos ou saborosos no paladar corporativo, mas cobram um preço alto a longo prazo. Eles reduzem o ritmo do metabolismo, aumentam o apetite por impulsividade, favorecem a retenção de líquidos e estimulam o acúmulo de gordura na região abdominal, além de abrir portas para condições inflamatórias crônicas. No entanto, há um detalhe fascinante que a bioquímica nos ensina: o impacto de um alimento no organismo não tem nenhuma relação com o seu sabor.

O limão é o exemplo mais clássico e inteligente dessa dinâmica. Apesar de ser uma fruta cítrica e extremamente ácida ao paladar, quando entra em contato com o processo digestivo, ele é metabolizado de forma a remover os íons de hidrogênio em excesso. O resultado prático é que o limão atua como um poderoso agente alcalinizante, limpando o terreno biológico e ajudando a trazer o corpo de volta para a zona de neutralidade. É a prova de que as aparências enganam e de que precisamos olhar para o valor funcional do que consumimos.
Para facilitar as suas escolhas na próxima ida ao mercado ou na hora de montar o menu da semana, vale a pena observar como os alimentos se dividem nessa escala de influência interna:

tabla-ph
fonte:  Paradigmas Terrestre

 

pH3 (muito ácido) refrigerante, água com gás, álcool, açúcares, frituras, embutidos e enlatados.
pH4 – leite, vinho, chá preto, cerveja, chocolate, pipoca, torradas, picles, nozes, queijo, manteiga, creme de leite, carne de porco, vinagre e molho de tomate.
pH5 – café, suco de fruta com açúcar, geleias, marmelada, doces e bolos com farinha branca, pão branco, trigo, amendoim, arroz branco e carne vermelha.
pH6 – leite de soja, chá, mel, floco de milho, aveia, arroz integral, farinha de trigo integral, feijão,
pH7 – água mineral
pH8 – damasco, maçã, abacaxi, morango, cereja, pêssego, goiaba, banana, laranja, amêndoas, folhas verdes escuras, aspargos, pimentão, milho, soja, arroz selvagem e nabo.
pH9 – tâmara, figo, amora, uva, caqui, maracujá, kiwi, melão, manga, abacate, melancia, tangerina, abóbora, batata doce, inhame, berinjela, mandioca, ervilha, lentilha, alface, gengibre e clara de ovo.
pH10 (muito alcalino) – sucos de vegetais, acelga, brócolis, couve, couve de bruxelas, couve-flor, espinafre, repolho, agrião, cebola, alho, lima, limão, pepino, rabanete e alcachofra.

Olhando essa lista tão curta de alimentos já é possível escolher melhor os alimentos que vão para seu prato, em quantidades que não prejudiquem o equilíbrio entre acidez e alcalinidade. Essa distribuição permite desenhar uma estratégia simples de proporção onde a regra de ouro para a longevidade e a energia constante indica que, para cada porção de alimento gerador de acidez, idealmente deveríamos incluir seis porções de alimentos alcalinizantes. Em geral, para cada porção de ácidos, seis porções de itens alcalinos.

Não se trata de restrição radical ou de eliminar o seu café matinal, mas de gerenciar o ecossistema com inteligência, garantindo que o corpo tenha matéria-prima de qualidade para se defender do desgaste cotidiano. Obviamente, adaptar essa estrutura à sua individualidade biológica requer o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado, garantindo que as mudanças façam sentido para o seu estilo de vida

“Cuidar do corpo é cuidar da mente; a harmonia química do organismo é o primeiro cenário onde encenamos a nossa verdadeira capacidade de realização e bem-estar.”

Nise da Silveira

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