|Os cuidados com antidepressivos|

O artigo da médica Marcia Angell publicado no “The New York Review of Books” em 2011 despertou a atenção sobre os sobre os malefícios dos antidepressivos. É realmente surpreendente que cerca 10% dos americanos com mais de seis anos de idade tomem antidepressivos e que no Reino Unido, as prescrições para as drogas subiram 43% nos últimos quatro anos e chegaram a 23 milhões de receitas por ano.
06 - antidepressivos
Segundo a autora, a resposta de pacientes a medicação é  um pouco mais elevada do que ao do placebo, agravada pelos efeitos colaterais, como disfunção sexual em 70% dos casos. Com o mesmo pensamento está o professor Irving Kirsch, diretor associado do programa de estudos de placebos da Harvard Medical School e autor do livro intitula As novas drogas do imperador: explodindo o mito antidepressivo”.
De acordo com a  teoria do desequilíbrio químico, não há serotonina, norepinefrina ou dopamina em níveis suficientes nas sinapses do cérebro de pessoas deprimidas. Na analise de Irving, alterar os níveis de serotonina em pacientes saudáveis não tem impacto sobre o humor que eles apresentam. Por isso  ele  considera a teoria do desequilíbrio químico um mito, e a ideia de que os antidepressivos possam curar a depressão de forma química simplesmente errada. Os antidepressivos só devem ser utilizados como último recurso e apenas para os mais severamente deprimidos – avalia.
O psiquiatra Daniel Carlat continua a discussão afirmando que a teoria do desequilíbrio químico como causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do “rolo compressor da promoção de medicamentos” imposta pelas empresas farmacêuticas. O psiquiatra de Boston e autor de “Unhinged: The Trouble with Psychiatry (Revelações de um doutor sobre uma Profissão em Crise) diz que a prescrição de antidepressivo é um caso de “hit-and-miss”. Usar termos com “desequilíbrio químico” e “deficiência de serotonina” é uma tentativa de tornar a doença mais biológica.
Essas afirmações estão baseadas em 38 estudos clínicos, que envolveram mais de 3.000 pacientes com depressão. Segundo esses estudos, apenas 25% dos benefícios do tratamento antidepressivo foi devido às drogas e que 50% foi simplesmente efeito placebo. Ou seja, o efeito placebo é maior. Mas é preciso observar, como alerta a matéria, que a resposta ao placebo foi menor nos casos envolvendo pacientes severamente deprimidos.
Exatamente por isso ha uma linha contrária.
Ian Anderson, professor de psiquiatria da Universidade de Manchester, acredita que os antidepressivos são úteis no tratamento de depressão e vai debater com Kirsch em uma conferência na Turquia no próximo mês. Segundo ele, não podemos afirmar que os antidepressivos são lixo. Eles fazem parte importante no tratamento de pacientes mais deprimidos.
O professor Allan Young, presidente de psiquiatria da Imperial College London, lembra ainda que há vários tipos de depressão, e cada tipo responde de forma diferente.
Uma coisa é clara: o cérebro permanece misterioso e os  transtornos mentais estão além da nossa compreensão. Tudo o que realmente sabemos é que a depressão existe e, por vezes, as drogas parecem funcionar, mesmo que seja efeito placebo.
Então, não promova uma  interrupção abrupta de medicamentos sem uma conversa com o médico.
Se você está feliz com seu antidepressivo, sente-se bem com ele, continue com o medicamento e fique atendo as novidades conversando com seu psiquiatra.

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