|A perfeita imperfeição|

Como descobrir se a perfeição idealizada não é um armadilha? É hora de desconstruir a ideia de que ser uma mulher presente e informada exige uma entrega sem fissuras e descobrir como a aceitação das pequenas imperfeições pode, finalmente, trazer a leveza necessária para desfrutar de pequenos encontros ou de uma conversa genuína, sem o fantasma do julgamento constante.

Tenho certeza que, assim como eu, você também deve ficar desconfortável com a necessidade de movimentação milimetricamente calculada. Tudo bem buscar o melhor, mas o problema começa quando essa régua se estende para a roupa com caimento perfeito, o filho que deve performar como um prodígio ou para o relacionamento que precisa parecer um comercial de luxo.
É uma estética de catálogo que, na prática, raramente sobrevive ao caos do cotidiano, quando não encontramos a escola ideal ou o relacionamento de capa de revista. Mas, sendo direta: estamos realmente prontas para o perfeito?

Em algum momento dessa caminhada, confundimos a ideia de viver bem com a ausência total de falhas. Isso é um equívoco que custa caro para a nossa saúde mental.
A vida, ao contrário de uma conta matemática exata, não aceita ser totalmente conferida e prevista.
Quando você tenta aplicar uma lógica de controle absoluto ao seu ambiente doméstico ou aos seus momentos de lazer, você não está sendo eficiente; você está apenas se tornando prisioneira de uma imagem que não permite erros.

Nós enfrentamos pressões estéticas e familiares que exigem a presença de uma “supermulher” em tempo integral. Aquela mulher capaz de transformar as férias da família em um projeto de logística, com planilhas de horários para o descanso e escalas rígidas para cada passeio. Fala sério, planejar o minuto exato de relaxar é quase uma agressão à espontaneidade!

Se você observar de perto quem se recusa a aceitar o inesperado, encontrará alguém mantendo uma personagem exaustiva, que dificilmente pode ser mantida no longo prazo.
O controle excessivo sobre a rotina da casa ou o comportamento dos outros é, no fundo, um mecanismo de defesa. Com medo do julgamento, ao tentar planejar a felicidade ignorando os imprevistos naturais do mundo, acaba construindo uma ilusão de segurança que desmorona diante de qualquer contratempo banal, como um plano que muda de última hora ou um imprevisto com as crianças.

Quando foi que essa busca pela perfeição assumiu o controle da vida?!
A Dra. Brené Brown, pesquisadora e referência no estudo da vulnerabilidade, traz um dado fundamental: quando blindamos nossas fragilidades para evitar o medo ou a decepção, acabamos bloqueando também a nossa capacidade de sentir alegria e conexão.
Se você se fecha para o risco, você se fecha para o amor, para a criatividade e para as relações autênticas.  Se afasta de experiências maravilhosas e significativas, de sentimentos verdadeiros e relações autênticas e realizadoras.

Assim, a capacidade real de viver bem mora na habilidade de lidar com o que não foi planejado. O perfeccionismo não é o caminho para o sucesso; ele é o obstáculo que impede você de alcançar seu propósito real.

Compreender que nem tudo precisa sair da forma como idealizamos e que errar faz parte do caminho é reconfortante. Aceitar a própria fragilidade, avaliando a rigidez de seu auto padrão de perfeccionismo leva a um processo de ressignificação.

Acolha sua imperfeição!

Tome uma atitude para mudar, programando a mente para ser feliz!

ㅤ”Se eu parecer perfeito e fizer tudo perfeitamente, posso evitar ou minimizar os sentimentos dolorosos de vergonha, julgamento e culpa’.”

Brené Brown

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